“O papel encontrará outras funções”

12/04/2009

Recomendo a leitura dessa entrevista do jornalista português Paulo Querido. Ele faz bastante sucesso na terra de Cabral, principalmente na internet, e sua opinião sobre o futuro do jornalismo deve sempre ser levada em conta – concorde-se ou não com ela.

As teses dele, em grande medida, caminham ao lado da minha idéia de que os jornais de papel devem encontrar uma fórmula que permita algo (muito) além da notícia pura e simples.

Destaco, em especial, esse trecho:

“Enquanto meio, não vejo o fim do papel nem a meio século. Agora como meio de transporte de jornalismo, sê-lo-á tendencialmente menos. Isto será vertical — ou seja, tanto as massas como as elites serão consumidoras do papel, o que quer que seja que ele veicule. Provavelmente, produtos de grande qualidade num topo e produtos de escasso valor no outro extremo.”


Parar de falar o que já foi dito

11/04/2009

O livro Mídia e Violência, de Silvia Ramos e Anabela Paiva, logo no final de seu primeiro capítulo chega à seguinte conclusão “ela [a imprensa] corre atrás da notícia do crime já ocorrido ou das ações policiais já executadas, mas tem pouca iniciativa e usa timidamente a sua enorme capacidade de pautar um debate público consistente sobre o setor.” A obra foca sua atenção na cobertura policial, mas tal conclusão pode ser facilmente estendida às demais áreas do jornalismo.

Já falei sobre isso aqui no blog, mas vale a pena repetir: o leitor não precisa ser informado daquilo que ele já sabe. Enquanto os jornais continuarem a simplesmente noticiar o que aconteceu – e que hoje, principalmente com o advento da internet, o leitor já sabe há tempos – as pessoas vão continuar fugindo deles. Não há interesse em gastar dinheiro e sujar as mãos para ler em um meio cujo formato não é nada prático para segurar.

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lainformacion.com

29/03/2009

Mario Tascón é um dos jornalistas espanhóis mais festejados ao redor do mundo.  Fundador do El Mundo, também comandou o braço digital do El País, a empresa Prisacom. Desde abril do ano passado, porém, Tascón largou as grandes corporações para construir seu próprio projeto de jornalismo “do futuro”.

Resultado desse trabalho, está para nascer o site lainformacion.com, que se calcará em um tripé formado por “robôs”, leitores e profissionais. Segundo a própria equipe, “se fossemos dar nomes aos ‘protagonistas’ de cada vértice, estaríamos falando de ELPAÍS.com, Elmundo.es ou 20Minutos.es no canto dos profissionais, de Menéame ou Digg no dos usuários e de Google News ou Topix no dos robôs.”

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Temos que ir além

05/03/2009

“O leitor não precisa ser informado daquilo que já sabe desde ontem.” A frase pode não ser exatamente essa, mas o conceito sempre é.  A primeira vez que ouvi – e logo reparei que não passava de um “ovo de Colombo” – foi em uma aula do querido professor Celso Unzelte. Depois disso, nem sei quantas foram as vezes em que escutei e li coisas desse tipo.

Até onde minha percepção alcança, essa idéia é uma espécie de consenso entre jovens e velhos jornalistas. Ninguém acredita que o leitor sentirá algum prazer ao se deparar com a manchete “Copom anuncia corte de juros”, após já ter visto a informação na internet e ouvido milhares de análises sobre o fato em todas as redes de TV.

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Há futuro para o jornalismo online?

02/03/2009

Nenhuma outra área pode se utilizar da internet melhor do que o jornalismo. A grande rede de computadores é útil tanto para se descobrir onde há uma história como para contá-la. Além disso, a proximidade com os leitores é um diferencial que tende a mexer para sempre com a cabeça dos jornalistas. Em questão de segundos já é possível conhecer a opinião de muitas pessoas sobre um determinado assunto, sem que para isso seja necessário investir uma enormidade de dinheiro em algum tipo de pesquisa.

As qualidades são muitas, mas o horizonte é incerto. Não se sabe ao certo como a imprensa poderá sobreviver de maneira rentável em meio a tantas alternativas. A criação de uma forma mais rentável de publicidade, a cobrança de assinaturas para os sites, o pagamento pelo acesso a cada notícia. Ainda não existe consenso e, até onde se sabe, nenhuma fórmula parece ser absolutamente segura. A cada dia o debate parece mais quente e a solução mais distante.

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Os dois lados do balcão

01/03/2009

Uma ou duas horas de conversa com algum dos grandes mestres de sua profissão deveria ser elemento obrigatório do currículo de qualquer faculdade. Apesar de não podermos contar com a institucionalização dessa idéia, iniciativas como os Ciclos de Palestras, do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, caminham justamente nessa direção.

Na última edição do Ciclo, realizada dia 28 de fevereiro, sábado, o jornalista Ricardo Kotscho falou com estudantes de diversas universidades – e também com alguns membros da velha guarda do jornalismo – sobre os prazeres e desprazeres das vidas de repórter e assessor de imprensa.

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Bem-Vindos

01/03/2009

Não faz pouco tempo que a morte do jornalismo é propagada aos quatro ventos. Profetas do apocalipse fazem questão de divulgar a torto e a direito que os meios de comunicação agonizam e, um a um, terão uma morte trágica e dolorosa – tanto para os jornalistas como para os leitores.

As redações podem realmente estar em crise e é fato que cada dia mais os gastos – sejam eles com material de escritório, viagens ou salários – estão sendo cortados de maneira cada vez mais brusca. Não há como negar que a situação é frágil. As demissões e o fechamento de tantos jornais ao redor do mundo não nos deixa mentir.

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