Parar de falar o que já foi dito

O livro Mídia e Violência, de Silvia Ramos e Anabela Paiva, logo no final de seu primeiro capítulo chega à seguinte conclusão “ela [a imprensa] corre atrás da notícia do crime já ocorrido ou das ações policiais já executadas, mas tem pouca iniciativa e usa timidamente a sua enorme capacidade de pautar um debate público consistente sobre o setor.” A obra foca sua atenção na cobertura policial, mas tal conclusão pode ser facilmente estendida às demais áreas do jornalismo.

Já falei sobre isso aqui no blog, mas vale a pena repetir: o leitor não precisa ser informado daquilo que ele já sabe. Enquanto os jornais continuarem a simplesmente noticiar o que aconteceu – e que hoje, principalmente com o advento da internet, o leitor já sabe há tempos – as pessoas vão continuar fugindo deles. Não há interesse em gastar dinheiro e sujar as mãos para ler em um meio cujo formato não é nada prático para segurar.

Dar opiniões pode ser uma saída. Porém, como já disse no artigo citado acima, as revistas, o rádio, a TV e a internet já fazem isso com muita competência. Será que realmente é essa a saída? Investir naquilo que os outros já fazem é o caminho? Definitivamente creio que não.

A verdadeira saída para os jornais é se antecipar aos fatos. Parar de correr atrás das notícias e lançar debates sobre as questões de interesse público. Ao invés de noticiar crimes, fazer acompanhamento periódico dos números de violência das cidades. Ao invés de divulgar o corte de juros, mostrar prós e contras de uma taxa mais baixa. Ao invés de repetir o que já foi dito sobre a demissão do presidente do Banco do Brasil, buscar desconstruir sua gestão, tentando descobrir o que, de fato, pesou na decisão e também lançar luzes sobre o que esperar do novo comandante do banco.

Se o jornal passar a trazer um conteúdo realmente diferenciado aos seus leitores, a chance de as vendas se recuperarem é real. Por outro lado, se nada for feito a tendência é que a situação só se agrave.

Uma resposta para Parar de falar o que já foi dito

  1. [...] teses dele, em grande medida, caminham ao lado da minha idéia de que os jornais de papel devem encontrar uma fórmula que permita algo (muito) além da notícia [...]

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