“O leitor não precisa ser informado daquilo que já sabe desde ontem.” A frase pode não ser exatamente essa, mas o conceito sempre é. A primeira vez que ouvi – e logo reparei que não passava de um “ovo de Colombo” – foi em uma aula do querido professor Celso Unzelte. Depois disso, nem sei quantas foram as vezes em que escutei e li coisas desse tipo.
Até onde minha percepção alcança, essa idéia é uma espécie de consenso entre jovens e velhos jornalistas. Ninguém acredita que o leitor sentirá algum prazer ao se deparar com a manchete “Copom anuncia corte de juros”, após já ter visto a informação na internet e ouvido milhares de análises sobre o fato em todas as redes de TV.
O que me intriga, porém, é o que leva os jornais – e os jornalistas, é claro – a continuarem investindo nessa fórmula. Não parece que queremos salvar nossas empresas e empregos. Apostar no que é sabidamente errado é querer acabar com eles.
Sei que pensar em um jeito diferente de escrever pode dar trabalho. Mas é para isso que estudamos, nos preparamos e, principalmente, recebemos nosso salário. O leitor que vai à banca todos os dias ou assina seu periódico favorito merece algo além do que já foi publicado.
Não há escapatória. Se queremos continuar com o bom e velho jornal de papel ele precisa mudar. Trazer uma informação mais aprofundada, uma história relacionada ao fato ou as previsões sobre o que o futuro reserva naquele tema.
Há quem defenda que a saída para o jornalão é se tornar mais opinativo. Discordo. A opinião já existe no rádio, na televisão e, mais do que em qualquer outro lugar, na internet. Ela não pode ser tratada, portanto, como um diferencial.
O que resta para os diários é, então, dar um tratamento diferenciado à notícia. É no jornal que ela deve ser tratada com mais carinho. Reter a atenção de um leitor diante de um papel sujo e mal ajeitado é um trabalho hercúleo. Mas é esse o trabalho que escolhemos e esses são os votos que renovamos todos os dias ao pisar em uma redação ou sair à caça de uma matéria.
É lógico que a correria de ter que fechar uma edição por dia é um empecilho. Ela não pode impedir, porém, que façamos nosso trabalho bem feito. Se isso acontecer é porque há algo errado. O tempo é curto, mas ele não pode forçar o jornalista a preparar miojo quando o leitor quer uma macarronada. Contar uma história ou analisar as conseqüências de um determinado ato não chega a ser a tal macarronada, mas já tem muito mais sabor do que o miojão e já seria um bom começo para não deixar que desistam de nós.
As faculdades de jornalismo precisavam ensinar seus alunos a serem mais criativos. Infelizmente nem sempre isso acontece e o resultado é a formação de profissionais presos às velhas fórmulas “que sempre deram certo” – mas que não dão mais.
@ghfs88

Concordo com sua opinião.É preciso maior criatividade. Quero deixar registrado minha satisfação em encontrar este blog. É uma escola de jornalismo da mais alta qualidade.
Jorge Roriz – Jornalista, Salvador-BA- http://www.jorgeroriz.com
Roriz,
Muito obrigado pelo comentário e pelo elogio. Espero que sua presença por aqui seja constante.
Abraços,
Gabriel
[...] falei sobre isso aqui no blog, mas vale a pena repetir: o leitor não precisa ser informado daquilo que ele já sabe. [...]