Voltando

17/12/2009

Depois de um começo até que bacana, esse blog acabou entrando em um longo período de hibernação. Se passaram 8 meses e, ao que tudo indica, ele agora renascerá – espero que por um período mais longo e de maior sucesso.

Durante esses meses em que ficamos afastados, o jornalismo e os jornalistas contaram muitas histórias. Muita gente boa – e algumas ruins também – morreu, tragédias aconteceram, empresas se uniram e até o fantasma da censura, que queríamos acreditar ser uma coisa mais do que enterrada, voltou a assombrar um jornal que ousou falar mal do presidente do Senado.

O mundo mudou – a tal ponto que o discurso do Nobel da Paz foi um chamado à guerra –, mas os dilemas do jornalismo permanecem absolutamente os mesmo: como evitar a morte do jornal impresso?, como permitir que as empresas jornalísticas tenham lucros?, como aproveitar as potencialidades das novas mídias?, o que fazer com o público que também quer ser repórter?, o diploma é ou não fundamental? e tantas outras perguntas que, se fossemos listar, não teria espaço na internet para comportar tudo.

O autor do blog também mudou muito nesses meses. De meio-bancário-meio-jornalista se converteu totalmente em jornalista. Com isso, pôde conhecer e viver muitas coisas que antigamente só imaginava. Pode ver, por exemplo, que, apesar de tudo, ainda existem jornalistas que querem, de fato, praticar o bom jornalismo.

Quem sabe agora, com mais experiência e sem as amarras impostas pela vida de bancário, esse blog não passe a ficar mais movimentado. Assim espero e pretendo que aconteça.


“O papel encontrará outras funções”

12/04/2009

Recomendo a leitura dessa entrevista do jornalista português Paulo Querido. Ele faz bastante sucesso na terra de Cabral, principalmente na internet, e sua opinião sobre o futuro do jornalismo deve sempre ser levada em conta – concorde-se ou não com ela.

As teses dele, em grande medida, caminham ao lado da minha idéia de que os jornais de papel devem encontrar uma fórmula que permita algo (muito) além da notícia pura e simples.

Destaco, em especial, esse trecho:

“Enquanto meio, não vejo o fim do papel nem a meio século. Agora como meio de transporte de jornalismo, sê-lo-á tendencialmente menos. Isto será vertical — ou seja, tanto as massas como as elites serão consumidoras do papel, o que quer que seja que ele veicule. Provavelmente, produtos de grande qualidade num topo e produtos de escasso valor no outro extremo.”


Parar de falar o que já foi dito

11/04/2009

O livro Mídia e Violência, de Silvia Ramos e Anabela Paiva, logo no final de seu primeiro capítulo chega à seguinte conclusão “ela [a imprensa] corre atrás da notícia do crime já ocorrido ou das ações policiais já executadas, mas tem pouca iniciativa e usa timidamente a sua enorme capacidade de pautar um debate público consistente sobre o setor.” A obra foca sua atenção na cobertura policial, mas tal conclusão pode ser facilmente estendida às demais áreas do jornalismo.

Já falei sobre isso aqui no blog, mas vale a pena repetir: o leitor não precisa ser informado daquilo que ele já sabe. Enquanto os jornais continuarem a simplesmente noticiar o que aconteceu – e que hoje, principalmente com o advento da internet, o leitor já sabe há tempos – as pessoas vão continuar fugindo deles. Não há interesse em gastar dinheiro e sujar as mãos para ler em um meio cujo formato não é nada prático para segurar.

Leia o resto deste post »


lainformacion.com

29/03/2009

Mario Tascón é um dos jornalistas espanhóis mais festejados ao redor do mundo.  Fundador do El Mundo, também comandou o braço digital do El País, a empresa Prisacom. Desde abril do ano passado, porém, Tascón largou as grandes corporações para construir seu próprio projeto de jornalismo “do futuro”.

Resultado desse trabalho, está para nascer o site lainformacion.com, que se calcará em um tripé formado por “robôs”, leitores e profissionais. Segundo a própria equipe, “se fossemos dar nomes aos ‘protagonistas’ de cada vértice, estaríamos falando de ELPAÍS.com, Elmundo.es ou 20Minutos.es no canto dos profissionais, de Menéame ou Digg no dos usuários e de Google News ou Topix no dos robôs.”

Leia o resto deste post »


Como lidar com um entrevistado engraçado?

24/03/2009

O que fazer quando se deparar com entrevistados engraçados? Existe alguma técnica para controlar o riso e fingir que nada está acontecendo? É melhor “cortar” a pessoa ou dar chance de ela se reerguer?

Deêm suas dicas.

Para exemplificar o que estou falando – e também para divertir a galera -, aqui vão dois exemplos bem clássicos.


SEMPRE é possível fazer diferente

20/03/2009

A dica vem do blog Novo em Folha, comandado pela @anaestela. No post “Delicadeza num caso escabroso” ela mostra uma matéria do Guardian em que o caso Josef Fritzl – o “monstro austríaco”, para quem não ligou o nome à pessoa – é retratado de uma forma bastante diferente.

A história é para lá de escabrosa, mas todos os comentários possíveis sobre seu caráter já foram expostos logo que ela veio a tona. Agora, com o julgamento do criminoso, o que passamos a ver foi uma repetição das mesmas matérias que já haviam sido publicadas.

O Guardian resolveu fugir do óbvio. No texto “Josef Fritzl trial: ‘She spent the first five years entirely alone. He hardly ever spoke to her’”, da jornalista Kate Connolly, passamos a ter uma nova visão sobre o caso. O que se ressalta na matéria não é o perfil monstruoso do engenheiro que manteve sua filha em cativeiro durante 24 anos. O trabalho de Kate nos apresenta a vida de Elisabeth Fritzl, trazendo a face humana do caso.

Leia o resto deste post »


O registro de ponto nas empresas jornalísticas

15/03/2009

O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro intensificou nos últimos dias uma campanha para que o ponto eletrônico seja adotado nas redações do Infoglobo (responsável pelos jornais O Globo, Extra e Expresso). Apesar da resistência inicial da empresa e das dúvidas dos jornalistas, ao que tudo indica chegou-se a um acordo e em breve o sistema já estará implementado nas redações.

Mesmo com a idéia em vias de ser implementada, ela ainda não é consenso entre os interessados, conforme pode ser visto nesta enquete no site do Sindicato, em que, às 19 horas do dia 15 de março, 56% dos que responderam apoiavam a implementação do sistema e 44% eram contra.

Leia o resto deste post »


Jornalista deve ter diploma?

10/03/2009

Nos últimos dias venho insistentemente repetindo a pergunta do título para muitos amigos, conhecidos e até mesmo para (quase) desconhecidos. Não sei ao certo quantas respostas obtive, mas todas foram, certamente, negativas.

Concordo com eles. O faro jornalístico não é um produto, que precisa ser encontrado nas prateleiras das faculdades. É óbvio que, com muito treino, as habilidades se desenvolverão, mas isso não basta. Alguns serão jornalistas de fato, outros técnicos em notícia. Nada contra uns e outros. Ambos são dignos e merecedores de seus empregos.

Leia o resto deste post »


Ato e fato na questão da ditabranda

08/03/2009

Desde pequeno ouço meu pai falar que muitas vezes o problema não está no fato, mas no ato. Ao meu ver é exatamente isso que provocou a enorme reação contra o termo ditabranda utilizado no editorial de 17 de fevereiro da Folha de S.Paulo.

Tirando aqueles que jamais estudaram a história do Brasil ou dos meios de comunicação, o passado nada abonador do jornal da família Frias é de conhecimento público. A forma como Otavião defendia o regime militar, inclusive com o apoio financeiro à Operação Bandeirante (OBAN), marcaram para sempre a imagem da empresa.

Leia o resto deste post »


Um ato de cidadania

08/03/2009
A dita foi branda para quem?

A dita foi branda para quem?


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.